Assassino tinha comunidade no Orkut em que analisava passagens da Bíblia

                             Foto: AFP/ Vanderlei Almeida
AFP / Vanderlei Almeida
Segundo vizinhos, familiares e ex-colegas ouvidos pela imprensa, o autor da chacina na escola do Rio, Wellington Menezes de Oliveira, era um jovem pacato, de poucas palavras. De acordo com Bruno Linhares de Almeida, que estudou com ele, Wellington era o “bobo da sala” e costumava passar muito tempo no computador.
Wellington tinha um perfil no Orkut que foi tirado do ar na tarde desta sexta. Ele não tinha nenhum amigo em sua página. Na descrição de "quem sou eu" havia a passagem bíblica Eclesiastes: 9:4-10. Três fotos estavam disponíveis para todos. Duas eram imagens de cemitério, e na terceira havia um homem bastante ensanguentado. Wellington tinha uma comunidade de sua autoria: “Entendendo a Bíblia Sagrada”, que, ao menos após os atentados, estava com 1.177 seguidores.
Nos tópicos da comunidade, Wellington colocou passagens bíblicas sobre as noções de Morte, Espírito e Inferno, e fez interpretações. Entre outras coisas, Wellington questionou a noção de imortalidade. Segundo suas análises, “alma” e “vida” são termos usados como sinônimos, sendo que a alma não é algo imaterial, invisível e imortal, e sim, a própria vida. Com isso, ele colocou em cheque o que é ensinado sobre o Inferno, como sendo um lugar onde almas pecadoras sofreriam eternamente.
Vários posts raivosos foram deixados por pessoas que visitaram a comunidade, e às 15h30 desta sexta-feira, todos os tópicos foram tirados do ar, assim como o perfil de Wellington. A assessoria de imprensa do Google informou que só pode dar informações sobre últimas postagens do usuário mediante decisão judicial. O Google também não pode informar se e o endereço IP atribuído a Wellington é o mesmo do perfil falso do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). As fotos da página do assassino foram postadas no dia 26 de março.

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