Se há uma lição a ser tirada de Mulheres Ricas, reality show exibido pela Band na noite desta segunda-feira, é a de se tomar cuidado com os excessos. Eles são meio caminho andado para o constrangimento. E foi exatamente o que se viu durante o programa: as cinco mulheres que dão título ao reality, gastando dinheiro a torto e a direito, exibiram um misto de ostentação e cafonice poucas vezes visto na TV brasileira.
Val Marchiori, Brunete Faccaroli, Lydia Sayeg, Narcisa Tamborindeguy e Debora Rodrigues se mostraram por uma hora falando platitudes, comprando roupas, sapatos, sendo paparicadas por assistentes e vendedores, tomando champanhe e espancando a língua portuguesa – com um talento que, revertido em força bruta, serviria para capinar latifúndios inteiros. E este foi apenas o primeiro de uma série de 10 episódios.
Inspirada no programa de TV americano The Real Housewives, que já teve uma brasileira (Adriana de Moura) entre suas participantes, Mulheres Ricas poderia ter sido divertido, mas na maior parte do tempo foi constrangedor.
Muito pela escolha do elenco, caricato em demasia e com pendor para o deslumbre. Vide Brunete, uma distinta senhora com seus alegados 40 e poucos anos e colecionadora de bonecas Barbie – ela, inclusive, tem uma boneca criada em sua homenagem. Ou Val Marchiori, ex-vendedora de cosméticos, incapaz de falar em plural, desprovida de espontaneidade e que a certa altura tentou enfiar marido abaixo, com voz de gatinha manhosa ao telefone, um avião de 30 milhões de reais como quem compra uma bala na esquina.
tvfoco/pop
Gidel de Morais
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